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G.O.T. Chega ao Fim e Desagrada Fãns

Game of Thrones” desperdiça potencial de personagens

| Texto com spoilers | Roteiristas fazem cavalo de pau na trajetória de Daenerys Targaryen, que se torna a grande vilã no último episódio

Daenerys penúltimo episódio da GoT
Daenerys penúltimo episódio da GoT (Foto: divulgação / HBO)

Série medieval, Game of Thrones se notabilizou por subverter os modelos do gênero, seja decapitando o candidato a herói na primeira temporada, seja emasculando o arquétipo viril que se projeta no cavaleiro. À parte a nudez gratuita de mulheres na primeira metade da história, a produção foi bem-sucedida ao superar expectativas e manter a audiência sempre cativa por tanto tempo. Ponto para eles.

Depois de oito temporadas de uma narrativa que gira em torno da disputa encarniçada pelo comando do Trono de Ferro e a liderança sobre os sete reinos, porém, a série comete pecados. E não são poucos. Nem perdoáveis.

A reta final de GoT tem dois problemas graves. Um é a pressa. O desfecho das personagens é sumário, às vezes, não condizente com a importância que tiveram no curso da ficção. O Rei da Noite e seus “night walkers”, por exemplo, levaram sete temporadas como ameaça constante à sobrevivência dos vivos. Dramaturgicamente, ocuparam espaço demasiado. A cada novo capítulo, anunciava-se que o inverno estava mais e mais próximo – até que a longa noite chegou e, como quem não quer nada, passou. É implausível que tamanho investimento de tempo seja abreviado de tal maneira.

Assim como o Rei da Noite, morto pela pessoa certa (Arya Stark, interpretada por Maisie Williams), mas da maneira errada (quase um “deus ex machina” por sua ligeireza), Cersei Lannister (Lena Headey) merecia final melhor – ou pior, a depender do ponto de vista. E aqui identifico o segundo problema da série, este ainda mais sério: o desperdício do arco narrativo construído minuciosamente episódio a episódio.

Tome-se Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), a Mãe dos Dragões. O que diabos estão fazendo com a Khaleesi, que passou subitamente de quebradora de correntes para assumir a feição de uma piromaníaca impiedosa que se frustra porque não é amada como o namorado e fulmina mulheres e crianças de Porto Real?

Ainda que se aceite que os Targaryen sempre tiveram uma queda pela demência e surtos psicóticos (leiam Fogo e sangue), soa inverossímil que a personagem, que chegou a prender um de seus dragões porque devorara uma criança, tenha se tornado paranoica de um instante para outro, sem que houvesse preparação nenhuma – ou pelo menos não uma convincente.

Mas ela assassinou a família de Samwell Tarly (John Bradley-West) e assistiu com prazer à morte do próprio irmão, Viserys (Harry Lloyd), pode argumentar aquele tipo de fã que encontra justificativa para tudo. Ora, o segundo a entregou como escrava sexual a um grupo de selvagens. E a morte dos parentes de Sam faz parte do que considero como esforço mal-sucedido de vilanização de Dany conduzido pelos roteiristas.

Na prática, e aqui reside a grande decepção com os produtores, a história de Daenerys foi reduzida a contraponto esquemático ao bom-mocismo e à pretensa honradez dos Stark, decantados no incorruptível Jon Snow (Kit Harington). Ignoram a jornada de aprendizado da rainha para pavimentar o caminho do herói do norte – enquanto Jon se engrandece à medida que renuncia a tudo, inclusive ao trono, Dany se apequena ao perseguir o poder a todo custo.

Diante das críticas, os criadores da série, David Benioff e Dan Weiss, resolveram vir a público explicar as atitudes de Daenerys. Bom, se os roteiristas precisaram mostrar as razões pelas quais uma personagem agiu tal como agiu, algo deu errado. E não foi com a recepção. Foi com a história contada.

Cito Daenerys como caso mais problemático, mas a metamorfose de Tyrion Lannister (Peter Dinklage) não é menos patética. Com o perdão do trocadilho, o anão, que sempre foi um gigante, acabou encolhendo nesta parte final de GoT. Não apenas sua participação diminuiu, mas ele se tornou desinteligente. Logo Tyrion, o personagem mais sagaz de toda Westeros, agora se vê emburrecido e enredado em ciladas ginasianas, agindo mais por força das emoções do que pela racionalidade.

Algo bom se salva, porém: Game of Thrones, de fato, operou uma mudança nas expectativas dos fãs, que viam em Snow (ou Aegon Targaryen, como já se sabe) e Cersei os antagonistas da narrativa. Ledo engano.

Ao cabo de tanta espera desde a estreia do primeiro episódio, no já distante 17 de abril de 2011, nem Jon é protótipo do herói clássico (jamais foi determinante para o sucesso de qualquer batalha), nem Cersei fez jus a sua vilania, morrendo de maneira até poética, soterrada sob os escombros de Porto Real, a capital do império que um dia sonhou legar a seus filhos, mortos um a um nas crônicas de gelo e fogo.

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